Desde o início sempre achei que um nome como It’s All True (É Tudo Verdade) para um documentário seria uma ironia por parte de Orson Welles. E ao ver Santiago (2007) de João Moreira Salles só pude constatar isso.
Declarar um documentário como sendo toda a verdade é de uma contradição tamanha que Welles abordou isso em seu derradeiro trabalho F for Fake (Verdades e Mentiras) de 1973.
O seguimento Four Men on a Raft (Quatro homens numa jangada) de It’s All True por exemplo, mistura fatos com ficção e apesar de usar não atores, reencena acontecimentos reais misturados com ficção.
Até que ponto é possível fazer um documentário onde tudo é verdadeiro e espontâneo?
Esse é o foco do documentário Santiago. Uma metalinguagem sobre a produção documental onde o diretor divaga sobre seus objetivos ao filmar um conhecido de infância e o quanto essa relação próxima é capaz de influenciar na performance de cada um à frente e atrás das câmeras.
Welles ficaria orgulhoso desse filme.

- Santiago (2007) Dir. João Moreira Salles

